Nos últimos meses, o chocolate do Dubai transformou-se num fenómeno global, esgotando rapidamente nos supermercados e gerando uma procura sem precedentes. Este sucesso não se deve apenas ao seu sabor distinto, mas também a uma estratégia de marketing engenhosa que combinou exclusividade, redes sociais, storytelling e o efeito FOMO (Fear of Missing Out).
Neste artigo, analisaremos os elementos-chave que catapultaram este chocolate para a fama mundial e como marcas renomadas, como a Lindt, adaptaram este sucesso ao mercado europeu, incluindo Portugal.
1. A origem do chocolate viral
O chocolate que conquistou o mundo e gerou a febre de procura pelo mesmo foi criado em 2021 pela Fix Dessert Chocolatier de Sarah Hamouda, uma startup dos Emirados Árabes Unidos. Este produto destaca-se pela sua combinação única de chocolate de leite, creme de pistachio e massa kataifi, uma massa típica de doces árabes. Inicialmente, o chocolate ganhou popularidade local, mas foi através das redes sociais, especialmente do TikTok, que se tornou um fenómeno global, com vídeos que alcançaram milhões de visualizações.
2. Exclusividade e escassez: criar desejo pelo produto
A estratégia de lançamento limitado do produto gerou uma sensação de exclusividade e urgência entre os consumidores. As prateleiras esvaziavam-se rapidamente, e a cada reposição de stock, novos vídeos virais mostravam consumidores a correr para garantir o seu exemplar. Esta estratégia intensificou o FOMO (medo de ficar de fora), levando mais pessoas a tentarem comprar o chocolate antes que fosse tarde demais. Neste momento, o produto inclusive está a ser revendido em plataformas como o OLX e Vinted por valores como 50 € devido à elevada procura pelo mesmo.
3. O poder das Redes Sociais e do Marketing de Influência
A viralização do chocolate deve-se, em grande parte, a uma estratégia eficaz de marketing digital e de influência. Influenciadores de várias partes do mundo começaram a experimentar o produto e a partilhar as suas reações nas redes sociais, principalmente no TikTok e no Instagram, como o caso de @mariavehera257 cujo vídeo em estilo sensorial tem mais de 6,7 milhões de visualizações ou o próprio vídeo do Lidl Espanha que já conta com 5,9 milhões visualizações do lançamento da sua versão do chocolate. Vídeos que mostram a textura, o sabor e a experiência de abrir a embalagem despertaram a curiosidade do público. O efeito FOMO entrou novamente em ação: ao verem tantas pessoas a falar sobre o chocolate, consumidores de várias partes do mundo sentiram a necessidade de experimentar antes que a febre passasse.
4. Adaptação de marcas europeias: O caso da Lindt
Ao reconhecer o sucesso do chocolate do Dubai, a Lindt, uma das marcas de chocolate mais prestigiadas do mundo, decidiu criar a sua própria versão deste produto para o mercado europeu. Em Portugal, a Lindt lançou o “Dubai Style Chocolate”, que rapidamente esgotou nas suas lojas. Por exemplo, na loja do Colombo, em Lisboa, “o produto esgotou em apenas 40 minutos após o lançamento” como revelou a NiT. Esta rápida adesão demonstra como a adaptação de um produto viral pode ser eficaz quando alinhada com as preferências do mercado local.
Além da Lindt, outras cadeias de supermercados, como o Lidl, o Mercadona também introduziram versões deste chocolate nas suas prateleiras, contribuindo para a disseminação do produto por toda a Europa.
5. Storytelling e identidade de marca
O Dubai é conhecido pelo luxo e pela inovação, e a marca soube capitalizar essa imagem. O storytelling por trás do chocolate enfatizou a sua qualidade premium, os ingredientes exclusivos e a experiência sensorial diferenciada. Além disso, a embalagem sofisticada e a apresentação do produto reforçaram a ideia de que não se tratava de um simples chocolate, mas sim de uma experiência única que todos queriam ter. Quem não conseguisse provar, sentiria que estava a perder algo especial, mais um exemplo claro do poder do FOMO a trabalhar a favor da marca.
O que as marcas podem aprender com este caso?
O sucesso deste chocolate viral não aconteceu por acaso, ele foi o resultado de uma estratégia de marketing bem executada, baseada em escassez, FOMO, redes sociais e storytelling. Marcas que desejam criar um impacto semelhante podem aprender que gerar desejo pelo produto, apostar na exclusividade e utilizar influenciadores pode ser uma fórmula poderosa para alcançar o sucesso.
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